sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PA-PO

Andamos tão cansadas...
Mil coisas a fazer, pensar e planejar. Tudo sempre acontecendo ao mesmo tempo, e no fim, nada acontece...

Todas estão cansadas. Cansadas da solidão, da tristeza, do carrossel de altos e baixos, de sobes e desces, de idas e idas.
Algumas alertam que é chegada a hora de cartões e agradecimentos sinceros... Mas nenhuma tem vontade de escrever nada, de dizer nada, nem de mostrar nada. Estão todas cansadas se serem elas mesmas sem serem ninguém. Cansadas de gritar mudamente, de ouvir, de correr, de cansar e descansar.
Nada muda no mundo...

E tudo muda.
A idade chega, mas nada parece mudar. Elas olham para trás e não enxergam caminho nenhum. Nenhuma residência, tampouco alguma coluna, viela, trilho. Nada. Nenhuma construção.

Há sim os pequenos e indeléveis prazeres da vida... Mas daqui há pouco, restará alguma lembrança?
Mudar o quê? O quê mudar? Para onde seguir quando as paisagens nunca mudam?

Premonições... Será que existem ou são apenas reminiscências de uma esperança?

Sei lá... Andamos tão cansadas, que nem esperar mais se sabe... Se crê.

Então, quem sabe, depois de dormir mais de 8 horas, quem sabe, alguma ideia fresca apareça na cabeça...

Mas é tão cansativo andarmos todas tão "sós".

Eus

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fim, fim, fim OU O que não tem início, nem meio ou fim

Correria. Assim poderia ser descrito o ofício daquela noite. Nada mau para fechar um dia de igual expressão: correria.

Era entrega um prato ali, prepara outro aqui, corta mais pepino, estão pedindo queijo, querem copa, rápido com o salame, busca mais galeto, limpa a bandeja de batata. Com licensa, por ali, por aqui, pra lá, rápido! E num repente a paisagem mudou... Aquele querido, o monumento secreto, o sonho dos nossos consumos, a alegria de nossos olhos, o bonitinho de nossos corações adentrou no ambiente, oferecendo seus serviços, sua ajuda, e exaltando secretamente nossa paz de espírito.

Ah se ele me concedesse uma dança, uma mísera dança, uma dancinha se quer...

No meio da correria, repentinamente o mundo para... Como as cenas lentas de Matrix... Daqueles repentes que mal se acredita, mal se sonha, mal se vive... Ele, aquele símobolo dos sonhos inatingíveis interrompe a louca movimentação, naquelas cenas de cinema, e na voz mais doce e suave do Universo "profere":
- Nina... ... ... ... Quando começar o baile...........
Meio milésimo de segundo: não se pdoe acreditar! Não se pode crer, ver, estar! Não acredito! O coração galopeia... Ele vai...
- Podemos tirar os buffets.. ... ...?
- Sim. Quando começar o baile.

E acabou-se mais uma história... Que nunca começou.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vem pro Rancho da Saudade...

Vou, não vou.
A preguiça consome um ser humano. Os gastos também. Sem contar o estresse de dividir dois chuveiros com umas 50 pessoas diferentes... Dividir o banheiro também, e descobrir quão porca - desculpem os porcos - mulheres podem ser...

Fui.

AINDA BEM.

O que eu vi em Santa Cruz do Sul, na final do ENART 2010 me faz ter orgulho sei lá do quê, mas faz ser imensamente feliz por ter ido até lá e presenciado uma revolução armada, de voz e sentimento, que sem rosto, pode mostrar sua vontade e gritá-la aos quatro cantos do Rio Grande.
Uma vontade, um sentimento que explodiram e retumbaram num ginásio lotado clamando pelo que o espírito escolheu, pelo que tocou a alma e fez aflorar o sentimento mais profundo do ser... Ser gaúcho? Ser humano? Ser tradicionalista? Ou apenas ser cansado do mesmo de sempre de novo...

Sinto-me orgulhosa por ter presenciado cena (ou cenas) tão forte e comovente, da aclamação de um grupo de danças que não conquistou o almejado 1º lugar em notas, nem o trofeu que carrega, mas que ganhou um trofeu muito mais difícil de ser verdadeiramente conquistado: o carinho, o respeito do público.

Não sei como se reage a algo assim... Como o meu coração reagiria, visto que trabalha-se durante mais de um ano, mais de 24 horas por dia, trancafia-se dentro de um salão e ensaia-se exaustivamente com chuva, sol, temporal, granizo...
Eu vi o agradecimento de verdadeiros campeões.
Não se consola o inconsolável, mas como negar e esquecer, deixar passar batida a vitória do coração sobre a "precisão" dos 0,002 diferenciais entre o 1º e o 2º?

Sinto o maior orgulho do mundo por ter estado lá e também ter gritado, aplaudido, chorado, vaiado e sentido a energia que eu senti.

Tudo anda tão para trás, os valores não são mais os mesmos, a tirania dominda e impera no palco, nas regras que o moldam. A ditadura é enorme. Os sem-face puderam dar voz ao coração e por para fora toda a carga negativa acumulada por tanta opressão... Por tantos erros esdrúxulos... Sim, senhor! Abaixar a cabeça, dizer "sim", seguir regras que não poderiam e nunca deveriam ser seguidas. Punições eternas pela discordância, mesmo que correta.

E o povo chamou, e o povo gritou e o povo consagrou o que a pele e o espírito sentiram...

Tenho orgulho de me manter ativa no palco, no CTG, especialemnte pro que agora eu sei que há muitos que zelam pelo mesmo que eu, que prezam a verdade, que sentem e fazem sentir.

Eu, só posso terminar esse desabafo torto, mas feliz da maneira que o ginásio inteiro de Santa Cruz fez, não ouvir, mas sentir: RAAAAAAAAAAAAAAAAAAANCHHHHHHHHHHHOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!

Grandes Provincianos!
Um dia eu chego lá!

Beijos,
Nina

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eu não estou aqui

Vamos combinar algumas coisinhas... EU não preciso ser educada sempre, né? Nem querida e simpática, né? Também não preciso explodir, extravasar diretamente pea cima das pessoas, né? (pelo menos por enquanto, né?) Não preciso ficar engolindo idiotinhas e falsos deuses do "interesse e da boa vontade", não?
Tá...
E na faculdade "ensinam" a gente que os poetas, os escritores, escrevem e se "escondem" atrás de personagens, não, quero dizer, ensinam que NUNCA o que eesta´escrito é o que o autor pensa ou é...
Então, tá legal! Super bom!
Por que quando eu começar a escreverr, vou fecahr os olhos e imagianr que estou dizendo as verdades que eu quero para uns idiotas aí, mas como EU-escrevente não sou o eu-lírico do texto... Não terei peso na cuca, por que eu escrevi tudo sem escrever nada!?
Protno.
Fácil assim!

Se tu tem tempo e pode ir. QUE BOM! Por que sinceramente, neste momento, tem gente que não pdoe tirar as raízes do chão.
Se tu resolveu que agora pode, e se acha no direito de mandar mensagenzinahs subliminares para mostrar tua superioridade. Que legal! É prova de que finalmente começou a trabalhar e fazer algo de produtivo pela tua própria sociedade e pelo terreno que por tanto e tanto tempo cercaram e recobriram teus pés (cansados, preguiçosos, vagos...).

Se tu acha que o teu esforço é maior, o mais justo, o mais venerável, o mais incrível. Fico feliz que tenha pensamentos "alegres" e otimistas para com a tua própria pessoa.
Se tu acha que ninguém ao teu lado está doando quantia suficiente de sangue e suor, e que todos deveriam arder na mármore do inferno, ouvindo Restart e um funkzão bem brasileiro... Fico bem animada, pois é sinal de que você abriu os olhos e saiu da idiotice cotidiana em que estava instalada, e agora entende por que algams pessoas se irritam a valer e soltam o verbo...

É tão bom ver que tu saiu do teu pedestal de superioridade e arregaçou as manguinhas pra trabalhar. Vai sujar as maõzinhas, querida bonequinha!

E agora, cala a tua boca estúpida e faz alguma coisa sem COBRAR. E veja se enxerga quem doa o seu tempo de vida pra que tu possa manter o teu pedestal bem lindinho, enquanto tu nada faz.

ODEIO gente idiota.

Nã ofalei, nada com nada, e, inclusive, estou "por aqui", aidna com palavras entaladas na garganta...
Mas deixa estar jacaré... A tua lagoa também háde secar...

Uia, gentinha!

Thcau pa tu!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Saudade

Eu preciso contar...
Resolvi que hoje ia sim, deixar a rebeldia de lado, e levaria as térmicas de café e chá na cozinha pra D. Dilma encher.
Ninguém me disse que a cozinha do café mudou de lugar. Minha rebeldia voltou.

Sem paciência para perguntar a direção, eu ia voltar com as térmicas, e "se" tivesse vontade, voltava pro Núcleo (onde trabalho) e me ia de volta "em busca da cozinha perdida".
No meio do caminho, encontro uma professora desfilando com térmicas na mão, que gentil comenta sobre o passeio para buscar café. Então, a rebeldia passa e pergunto aonde fica, e logo me vou, buscar café "lá perto da lavanderia".

Entrei.
Há anos, há anos não entrava lá.
Foi só passar a cerquinha que o ar mudou. Sério, é verdade, parece que o ar mudou, como se o ar estivesse parado, como se há muito tudo tivesse parado.
Entrei na nova cozinha com um sorriso de orelha a orelha e falei pra D. Dilma que há muitos anos eu não entrava ali, local em que tínhamso nossas auals de Agroindústria. Que emprestou seus fogões, geladeiras e mesas para nossos experimentos de compotas, iogurtes, salames. E melhor, lugar pra onde fugíamos no recreio em disparada, pra pedir pro "paderro" um pãozinho quente pra comer.

A D. Dilma não deu a mínima para o que eu falei. Mas não consegui deixar de enxergar os meus amigos debruçados nas bancadas, nas mesas, a professora tentando explicar a fórmula do salitre, a porcentagem de condimentos. Enxerguei o nosso primeiro queijo... UM HORROR! Coagulante de menos, "potcheca" de mais.
Deu até pra sentir o gosto do iogurte que fizemos, e rever as colheradas de sabor aplicadas e misturadas pra dar um gostinho diferente.

Meu Deus, que saudade...

Larguei as térmicas e voltei. Passei pela porta com sorriso de orelha a orelha e lembrei da primeira vez que lá fomos.
Enxerguei o Bonês num canto, meio quieto, cabisbaixo, escondendo o choro... Confessando que aquele era seu primeiro aniversário sem a família...

Foi como se o mundo parasse a minha volta enquanto eu caminhava e enxergava todo mundo de novo.
Saí de lá sorrindo, mas com os olhos cheios de água salgada... Que até agora quer cair...

Me deu uma saudade... Mas uma saudade... De algo que eu nem sei o que é ou por que é, só sei que deu... E bateu tão forte, mas tão forte, que chega a doer no coração...

Acho que foi a melhor coisa que me aconteceu hoje. Nem sei se algo melhor acontecerá, mas que presente eu ganhei...
Deu saudade sim, e vontade de chorar... Mas foi uma sensação... Sei lá... Acho que eu não estou tão sozinha quanto penso.

Eu sinto muita saudade dos meus amigos. E acho que eu tinha me esquecido disso.

Gurizada, agricolinos... Eu amo muito vocês.

E acho que, sei lá... Eu adoro ir buscar o café. Falando nisso, já vou lá buscar minhas três térmicas!

Beijos,
Marina

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quarta-feira

O Garfield considera a segunda-feira o pior dos dias. Eu não, pra mim é sempre a quarta-feira.
Na quarta parece que o mundo todo está avesso e virado, me sinto péssima. Adoraria poder me enfiar dentro do armário, em baixo da mesa, dentro de um buraco e sumir. Ficar quieta e escondida até a quinta chegar.

Sei lá por que a quarta é tão horrível assim. Só sei que fico agoniada, inquieta, presa dentro de mim. Me debatendo contra as minhas próprias paredes sem ter nem uma frestinha por onde fugir.

Bah, é sempre neste meio dia da semana que tudo de errado e estranho parece acontecer. E não adianta, é sempre uma tortura toda vez que ela chega. SEMPRE! E eu começo a rezar pra passar logo e eu chegar em casa outra vez.
Tudo fica acumulado pra quarta, tudo fica pendendo na quarta, tudo fica patinando na quarta.
E ainda tem aquela aula "maravilhosaaaaaaaa" que dá uma empolgação danada... Empolgação de sair correndo e se meter em qualquer lugar da faculdade pra fugir daquele "finjo que ensino e tu finge que aprende" que as aulas desta cadeira se transformaram.

Desde o meu 2º grau lembro de ser assim: o dia do horror. Briga feia dentro da turma, atropelamento por motoqueiro policial, arrancarabo com colegas idiotas, perder o ônibus... Tudo no dia da metade da semana!?

Bah, é este é o dia do meu carma... E da pouca "carma".
Se eu conseguisse expressar como é que eu me sinto presa dentro de mim nesse dia... Ganahria um Nobel de Literatura! Mas é uma agonia, sufocante, estressante, irritante, ansiante... É uma coisa chatíssima!

E, dando uma olhadela básica no meu MSN, recordo que - se não me engano - as quartas são também os dias dos xaropes e idiotas aparecerem e desaparecerem... Com desculpas esfarrapadas e papinhos sem pé e nem cabeça.

Desculpa, gatinho amigo, eu ODEIO a quarta-feira!

Beijos,
Marina

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A música não é competição

Música não é competição.
Ouvi isso ontem numa conversa. Não tive tempo - ou coragem - de perguntar maiores explicações sobre a sentença, mas assim que bati os olhos na resposta a considerei pra lá de interessante. Não que eu julgue isso, mas me pareceu uma consideração bem feita e que passa despercebida pelos envolvidos nela, ou por qualquer um que se envolva em algum tipo de competição.

Queria eu ter uma pitada a mais de "coragem" para perguntar uma explicação detalha sobre o assunto...
A curiosidade me move, e move mais ainda os pontos de vista das pessoas e seus argumentos, as ideias que têm, e que podem abrir novas fronteiras em meus mundos.

Música não é competição...
O que seria música? O que então significam os festivais e competições de música? Qual sua serventia? Sua valia? O que despertam e o que escondem? O que fazem agir e surgir nos meios que a envolvem...?

Pois é, José, música não é competição.

E agora que "o mundo parou outra vez" consigo recuperar o fôlego aos poucos e respirar um pouco mais livremente, sem o peso de tantas coisas e com alguns pesos extras se misturando nesse período de colocação de miolos no lugar e assentamento de ideias.

Música não, não é competição. Assim como a dança não poderia ser.
Dançar deveria servir para extravasar, para ser, para elevar, para engrandecer, para construir, aproximar e transportar...
A competição pesa e desvirtua.

Saber que música não é competição me fez lembrar que eu me sentiria muito mais leve se a dança não fosse uma questão de vida ou morte, um peso, um fardo. Fosse apenas o que é... A representação da música pelos corpos... A elevação, enfim, da alma.

E a dança seria o que foi e o que é... Um tanto mais leve...

Fazia tempo que dançar não era tão inconsciente como domingo... Um fardo que vai rolando sua ficha depois, durante.

Não, a música não é competição. Dançar, também não.

Beijos,
Eu...