domingo, 10 de maio de 2015

Calendário

As vezes eu não sei se conto as datas pra frente ou pra trás.
As vezes eu não sei se conto quanto passou, quanto passamos ou quanto falta.

domingo, 26 de abril de 2015

(des)Organizar

As vezes a gente precisa organizar fotos, lembranças, papéis, coisas. E pra conseguir fazer isso precisa mexer em coisas doloridas, esquecidas, remexer feridas.
Não é fácil, mas é necessário. E eu acho que vou adiar mais uma vez.

Marina

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Passado

O único passado que eu tenho saudade e queria de volta se chama Mona.
De resto, é o que foi e o que ficou pra trás e virou ensinamento, aprendizagem. Ponto.
Não dá pra andar pra frente se agarrando no que está pra trás, nem sem fazer uma limpa. Limpa de vida, histórias, coisas pesadas, telefones e tudo o mais.

Marina

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Morte morrida ou de morte matada?

Morreu de morte morrida ou de morte matada?
As vezes a gente precisa matar e as vezes precisa deixar morrer. Não dá pra viver carregando ossinhos por aí, lado a lado, pesando na alma. Fantasmas se acorrentam na gente, fazem peso. Sabem nosso telefone, e-mail quando precisam de algo. Sinal de fumaça? "Oi. Tudo bem? Tchau" é para poucos. E fortes.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

REtrospectando

ADORO quando as pessoas se acham no direito de ditar como você deve se sentir, criticando alegrias ou dores, impondo sua ideia sobre como agir ou sentir diante de algo que toca você. ADORO quando as pessoas sabem mais sobre a sua vida do que você mesmo e querem te forçar (e não, elas não chamam, nem concordar com a palavra "forçar") a seguir a corrente, sendo mais uma cabeça na multidão que rema pro mesmo lugar (?), então você precisar fazer o que elas acham que é correto, por inúmeros motivos, inclusive idade. ADORO quando as pessoas querem se impor na vida das outras, porque tá na hora de não estar mais sozinho, porque você precisa corresponder expectativas, precisa ser o que alguém (sem sã consciência) imaginou que você é obrigado a ser ou fazer. ADORO essa gente toda que vê um cubo de gelo e pensa que enxergou o iceberg inteiro e que tem fórmulas mágicas pra tua vida (e não usa na própria). ADORO essa gente que ultrapassa os limites de quem você é pra provar que a fórmula que apresenta é a solução perfeita, que o Messias está ali. ADORO essa falta de respeito mascarada, essa forma de diminuir o outro, suas histórias, seus chinelos, sua estrada, pra apresentar um milagre que não é.
Cada dor e cada amor só quem sente sabe seu tamanho, seu cheiro, sua cor. E não é dever de nenhuma outra pessoa julgar ou diminuir.



Só estou refletindo sobre algo que li num post de uma pessoa que falava que não queria retrospectiva de 2014 (meu caso também), porque foi um ano de ganhos, mas de perdas. E alguém tentava enfiar goela abaixo que não, essa pessoa não poderia pensar assim. Não é o primeiro caso que vejo com amigos, já aconteceu (e vive acontecendo) comigo e com certeza com você também, sobre tudo, sobre qualquer coisa, desde uma perde até um ganho, como também para comprar um CD, um pão. Não, não é fazer pensar, falo especificamente de quem tenta enfiar goela abaixo o que pensa, seus princípios e opiniões acerca de qualquer coisa ou de SE impor onde não se é chamado (on ou off).

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

4

Quatro meses são a eternidade.
Tenho vontade de escrever muitas coisas, de organizar outras, mas isso significaria ter que organizar minhas ideias, as minhas lembranças e a minha vida. Tenho vontade de arrumar e imprimir fotos, fazer um álbum como sempre sonhei.
Também tenho vontade de contar a verdade, de dizer que pode ser lindo e bonito para muitos, e que fotografia preserva o sorriso, mas o coração esconde um desespero sem tamanho. O fotógrafo segura atrás da câmera um mundo de verdade que vem abaixo. Pode ser colorido, "divertido", uma tentativa de alegre pra muitos, mas não é...
É uma punhalada seca a cada revirar de imagens, a cada encontro com antigas rotineiras memórias.
É de um dolorido, de uma dor, de uma coisa inexplicável. Sentível... Sofrível...

A mãe tá bem. Aceitando o que não pode mudar. E sentindo uma saudade... Que nem é bom começar a falar.

Tenho muito pra dizer, pensar, organizar, fazer... Mas mexer nessas coisas é ter que aceitar e encarar de frente... Tanta coisa...

A mãe te ama.

Ao infinito e além...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

NÃO TEM SEMANA FARROUPILHA.

NÃO TEM BOM DIA. NÃO TEM SEMANA FARROUPILHA.
Sempre tive um orgulho, um amor imenso por representar o meu estado, a cultura gaúcha. Sempre AMEI, AMEI o Rio Grande do Sul.
Sempre representei da melhor maneira as danças, a poesia, a cultura do meu estado, sempre defendi o nosso amor, a nossa paixão, o nosso orgulho por SER GAÚCHO.
Fui Prenda dançarina, Prenda de faixa, representando minha entidade e minha região com o maior amor desse Universo. Ajudei o mais que pude o Movimento, ajudei a formação de crianças, dancei, fui da patronagem, do Departamento Cultural, tive a oportunidade de "fazer parte" do Campeiro. Fiz sempre o mais o melhor que pude para levar a tradição, esse amor pelo que é daqui para o máximo de pessoas e crianças possível. Hoje, não mais.
Que Prenda seria eu se não acreditasse na igualdade e no respeito às pessoas? Que Prenda seria eu se quisesse garantir O MEU direito e negar o dos outros? O que teria aprendido EU COMO PRENDA, estudada, trabalhada, dedicada, se aceitasse ISSO como normal, esse preconceito, essa raiva, esse ódio pelo que não é igual a mim? O que eu teria aprendido em meus estudos, em minhas crenças, se apoiasse uma barbárie, um horror, um show de PRECONCEITO e IGNORÂNCIA dentro desse Movimento que eu fiz parte? O que eu teria aprendido sobre LIBERDADE, IGUALDADE e HUMANIDADE se aceitasse isso como algo normal? Eu li a Carta de Princípios mais vezes que a esmagadora maioria dos "tradicionalistas", dançarinos, patronagens. Eu VIVI os ideais da Carta, do gauchismo. Eu aprendi, eu entendi. Eu JAMAIS aceitaria o meu passado se não tivesse compreendido que o presente é quem mais vale. Eu renegaria tudo isso que vivenciei e aprendi e TIVE QUE APRENDER como PRENDA, como ser humano, como uma pessoa que foi ligada ao Movimento se eu concordasse com essa gente que acha que o meu direito de gostar de homens, por ser mulher, é mais verdadeiro, mais justo do que os meus amigos que são homens e gostam de homens, do que as minhas amigas que são mulheres e gostam de mulher.
PARABÉNS, vocês não aprenderam NADA. PARABÉNS, ignorantes.
Quero ver o dia em que os gays dançarinos vão se manifestar sem medo. Vão parar no meio do tablado e dizer NÃO, CHEGA. Quero ver o dia que os amigos dos gays, das lésbicas, das "travas" vão parar no meio do tablado e dizer: se o meu amigo não pode, eu também não pode, eu também não posso.
Eu sou a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. Eu sou a favor dessa união acontecer dentro de um CTG. Eu sou a favor de que todos os meus amigos e amigas tenham o mesmo direito que eu. Eu sou a favor de que se trabalhe a intolerância e a ignorância.
Eu amo os meus amigos, eu amo essas pessoas que querem ter DIREITOS IGUAIS quando parceiras (pra isso é o casamento civil IGUALITÁRIO). Como eu li de alguém ontem, Jesus andava com putas e pobres, quem sou eu pra virar as costas pra todo o (que tu considera) "resto"?
Pensei muito em me negar a ir a qualquer entidade, evento a partir de hoje, mas não. DESPREZO isso, mas tenho mais valor dentro, pra mostrar que minhas ideias podem contaminar outras pessoas, coisa que a homossexualidade não faz (contaminar).
E repito SOU A FAVOR DO CASAMENTO CIVIL IGUALITÁRIO e CONTRA ESSA IGNORÂNCIA TOSCA.

Marina

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/09/1514274-incendio-atinge-ctg-que-vai-receber-casamento-gay-no-rs.shtml