domingo, 4 de junho de 2017

Bilhete

Achei um bilhete. Achei um bilhete e meu coração parou. Foram os sei lá qual a menor partícula de tempo, mas nesse átimo menor que átimo, passou tudo. TUDO.
Meu coração sempre para, sempre estala, sempre estatela.
Parei e tudo correu dentro da minha cabeça nesse tempinho que tudo parou e eu voltei anos. Voltei no dia, no momento, no caminho, no mercado, na olhada do bilhete, em tudo.
Eu saí pra comprar, comprei, e não adiantou. Em menos de uma semana a despedida de nossas vidas (terrenas).

Meu Deus... Que bilhete, Jesus...

Seringa
Água de coco
Chocolate
Saquinho

Não deu.

Deu algo que não sei explicar. Fiquemos com "saudade" no momento... E não é isso.
É um bilhete.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Michalski

Hoje assisti o episódio de despedida do "Trovão de Chocolate", em Criminal Minds.
Me lembrei do Michalski.

Quando Trovão e Garcia se abraçaram, e ela chorava, lembrei do Michalski, da última vez que nos vimos.
Lembro que fomos assistir o show do Nenhum de Nós na ExpoBento (certamente), acho que o Micael também estava lá e outros colegas. Acho que no dia seguinte ele encerrava seu tempo de escola e voltava para casa, algo assim.

Mas o que me veio à memória foi que no saguão da escola, falei que tinha que ir, mesmo (será isso ou quase isso que aconteceu?), não lembro ao certo se a gente já chorava ali ou quando, mas nos abraçamos, ele de "Kangol" na cabeça, viramos as costas e fomos, cada um pra um sentido diferente. Chorando.

Foi a última vez que vi meu amigo. Isso fazem, calculei depois, 15 anos. Nunca mais tive notícias reais sobre ele.

Não estou a fim de chorar.
Ver aquele abraço lembrou do nosso, lembrou do meu amigo. E da saudade que existe.

Que Deus proteja o Michalski onde estiver. Se realmente for caminhoneiro, que te guie por aí com segurança.

Acabei de lembrar do final de "Conta comigo"... "E nunca mais tive amigos como os que tive aos " 15, 16, 17 anos...

Que Deus proteja, amigo.

Marina

sexta-feira, 10 de março de 2017

10 de março

10 de março de 2017

Não foi a morte que mudou o sentido dos meus pensamentos sobre morte e vida.
A morte e a vida passaram a ter outra cara quando eu ouvi "por quê?" de uma criança.
São 9 anos da partida da Caro e é sempre como se fosse hoje.
Eu já vivi mais anos do que a minha prima, mas isso não significa que eu tenha vivido mais do que ela. Isso tudo é tão dolorido...
São 9 anos de muitos descaminhos, perdas, encontros, histórias e lembranças... E a certeza de que tem que ter algo depois daqui pra explicar tanto "descaminho"... Tanta escolha de Deus...
Pensei em tanto pra escrever... Esse ano tudo está meio atropelado... É como se sempre fosse hoje... E nessas horas tudo fica tão igual, sem sentido, sem explicação, sem ar... É uma tristeza que nunca vai embora, passa a morar ali, quietinha, virando saudade.
Sempre vou te agradecer pela Lu. O teu susto foi o nosso maior presente.
Um beijo com toda saudade do mundo.


10 de março de 2016
Hoje é um daqueles dias que a gente lembra exatamente TUDO o que aconteceu. Lembra de detalhes, coisas miúdas. Lembra até da respiração, da falta dela, das pausas... Onde estava, com quem estava, como foi, quando foi.
São 8 anos.
Como disse a minha irmã, quem faz a homenagem somos nós. <3 span="">
E que BOM que você passou por aqui, Caro!



 2013 e 2014: aqui no blog



10 de março de 2012

Hoje fazem 4 anos que a pessoa que me contou que o Papai Noel não existe se bandeou lá pra "imensidão azul". E que sem saber, o "susto" que levou, foi um grande presente que ela deixou pra gente, a Luiza Salvadori Fedatto.
Não gosto de ir pra missa, por que o Padre não fala nela e muito menos faz uma missa homenageando quem foi cedo, como a minha prima Caro. E por que a gente não precisa de missa, cemitério e afins pra lembrar e homenagear quem é da gente... Tenho a minha crença, a minha fé e isso não é menos válido ou bonito.
Sei que Deus me entende e que minha prima me desculpa, além do que tenho certeza que ela também não iria. hahaha

Deus sabe o que faz, mesmo que isso seja uma coisa absurda e completamente louca de se entender. E a gente tenta fazer o melhor pra que a tua baixinha se torne uma altinha nota 10!
Na foto, foi o dia do batismo da Lorenza Dall'Onder. E claro, como boas fãs da Xuxa, ali está a prova da nossa competição de chuquinha. ; )

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TETAS, MAMAS, PEITOS, S3I0S

Vamos falar de SEIOS, TETAS, PEITOS.
"Mamilos polêmicos".
A gente morre de vergonha, mas não deveria. Principalmente quando é algo importante.
A vergonha, o medo, a desinformação matam todo dia, então, nada melhor do que a "água batendo na bunda, pra gente aprender a nadar".

Essa semana eu levei um susto colossal e através dele decidi que vai ser como endometriose: vou falar. Alguém, em algum lugar, em qualquer momento, precisa saber.

Não conheço muitas mulheres jovens que tenham feito MAMOGRAFIA ou ECOGRAFIA MAMÁRIA, parece que a indicação - que eu também "sabia" - era para acima de 40 anos. Porém, entretanto, contudo, todavia, o médico que fez a minha eco hoje disse o seguinte: FAÇA mamografia e eco TODOS OS ANOS. É melhor que sejam feitas cedo, que se acompanhe as mamas do que levar um susto grande e descobrir o pior.

Posso estar com 32, "não mais tão novinha, não" - como falou um ser humano por aí -, mas como o médico disse, quanto antes melhor. E não custa pedir a sua/seu ginecologista uma requisição para fazer estes exames, nem que seja "só por curiosidade".

Então, pessoas, escuta a tia! ;)
E pra quem não sabe, câncer de mama não é exclusividade das mina, os mano também PODEM TER!

Vamô se amar, vamô se cuidar e vamô aproveitar essa vida!

Te cuida!
Beijos

*Em tempo: tá tudo bem, tô ótima e vou continuar enchendo o saco por muito tempo. Pode chorar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

De 2013, ENART

De 16/11/2013:
Aí a gente dá aquelaaaaaaaa chorada. Os olhos começam a escorrer, tu não pode ficar parada, esperando. Ficar parada, sofrendo. Tu não pode parar. Dá uma secada com as mãos, cuida pra ninguém enxergar. Vai engolindo a seco. Vai escorrendo no rosto. Vai secando. E vai seguindo. Não dá pra parar. Tem que seguir. Tem que fazer o que é preciso.

Eu

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Facebook é pra gente fazer o que quiser. Então...
Ontem foi de uma delicadeza, de uma tristeza, de uma beleza assistir Velho Chico... De cortar o (meu) coração.
A gente pode imaginar o que se passa nas mentes e corações de quem lá está, a gente, de casa, pôde ver nos olhos dos outros.
Somos abutres? Somos telespectadores? Somos julgadores? Quem somos nós? Todos sabem o que aconteceu, a forma que aconteceu. Ninguém em sã consciência queria que tivesse acontecido.
Não é necessário explorar a dor alheia. É necessário fazer o que precisa ser feito. Com um trabalho em pleno curso qual o melhor caminho a seguir?
Todo dia mil programas exploram o show de horrores da vida. Ninguém precisa de mais disso.
Ontem pudemos ver a boa escolha, a boa homenagem, o respeito ao trabalho, a dor alheia e a singeleza de diálogos e cenas com alguém que não está lá. E ninguém precisa repetir como e porquê. A presença é maior do que isso. Aquelas lágrimas de canto de olho completam a cena dizendo tudo que precisa ser dito.
A presença singela está ali, nada mais precisa ser dito. Ou visto.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Vai ter festa SIM!

Tudo começa com: cada um sabe o que é melhor para a sua vida. E mais: ninguém tem nada a ver com isso.
Especialmente quando isso não influencia maleficamente a vida de ninguém.
Faz tempo que queria escrever, faz tempo que "volta e meia" leio reportagens e comentaristas bradando contra festas infantis, sobre gastos, sobre luxo, sobre banalidades. Eu também acho um absurdo o que a Eliana e o Wesley Safadão devem (atenção pra palavra) ter gasto nas festas dos seus filhos - que foram estampadas em portais e capas de revista -, mas quem sou eu para reclamar do dinheiro e das prioridades dos outros?
Trabalhando no ramo se vê e se aprende muito, e uma coisa muito importante que minha irmã sempre diz é que festa é supérfluo, se a pessoa pode fazer, faz, se não, não faz e tudo bem. E realmente é assim. Cada um tem seus motivos e desmotivos para fazer assim, assado, enrolado e tal. Comemorar um aniversário vai ser maravilhoso sempre que o amor estiver presente. É disso que se trata uma festa no salão, em casa, na piscina, no clube, na escola, onde quer que for.

Mas claro, ninguém é tão santo e puro que volta e meia não olhe para o lado com os olhos inquisidores e diga "ó, que desnecessário, que abuso, que absurdo".
Não lembro quando, mas há algum bom tempo, numa festa de um aninho de um menino, primeiramente estranhei, os pais fizeram um discurso, emocionado, bonito, agradecendo aquele ano e a todos que estavam ali; minha irmã me explicou que aconteceu alguma complicação quando o menininho nasceu. E então eu entendi aquilo.
 
Trabalhando no ramo de festas não faltam histórias, a gente vê e participa de muitas coisas e as vezes arregala os olhos como todo e qualquer comentarista de Facebook e da vida alheia. Agora vou contar o que eu me dei conta no ano passado.
Não sou mãe, não sei se serei, mas eu sou tia e tive a graça de acompanhar a gestação da minha irmã de pertinho. É diferente? É, completamente, mas quando se tem um pouco de sensibilidade e desgruda os olhos do próprio umbigo, percebe coisas incríveis...

A Cecilia nasceu bem, super bem (tô toda derretida só de lembrar), mas horas depois foi parar na UTI. E eu nunca vou conseguir dar um nome exato para o pânico, para o medo, para o tudo e o nada que eu senti naquele dia. A Lole me disse que foram 9 dias de hospital, 4 deles na UTI, para mim foi um mês inteiro, um ano inteiro naquele lugar.
Não interessam os detalhes.
Não sei até hoje quanto tempo fiquei plantada na porta da UTI esperando uma resposta, sei que foi mais de uma hora. O que eu vi ali, o que a gente vê em filme, eu enxerguei na vida real e senti na pele com o entrar e sair de gente daquele setor.
No quarto, chora um, chora outro. Trocas de quarto, porque mães "sem bebês" não ficam no mesmo que mães "com" bebês.
A história do indiozinho na UTI, que os pais, lá da aldeia, ligavam todos os dias pra saber como estava.
Naquele dia, uma moça no mesmo quarto teve gêmeas, prematuras, e o choro daquele mulher... Foi de tremer os ossos. Ouvir ela falar, chorar a falta de leite, a preocupação com as bebês... E nós tínhamos uma bebê na UTI, um serzinho enfrentando uma batalha.

O que eu vi, ouvi e senti naqueles dias me faz desviar eternamente desses críticos de plantão.
"A festa é pra adulto" ou "É só pra se fazer pros outros" ou "A criança nem aproveita". Larga a criança brincar ao invés de fazer tirar mil fotos pra ver se ela não aproveita!
Como é que eu vou julgar uma mãe por querer uma festa de arromba para um bebê? A gente nunca sabe o que move o outro, os motivos do outro. Cada um faz o que pode, o que dá. E tudo, tudo mesmo tem que ser feito com amor.

Agora, vou te dizer o seguinte, nós que trabalhamos no meio, como não vamos inventar mil luxirices e pótchis para comemorar o melhor ano das nossas vidas? Se temos mil aparatos à mão, recursos infinitos, habilidade e AMOR, porque não? Se a festa da Ciça fosse no quiosque do Botafogo, seria igualmente maravilhosa, pela sobra do essencial, do invisível aos olhos, pela alegria, por tudo que ela passou.
Não cabe a mim, a ti ou a ninguém julgar a festa (RIDÍCULAAAAAAAA) do Wesley Safadão (vestido de príncipe), nem a da família que não tem dinheiro, mas a mãe vai fazer um bolinho, a tia vai fazer uns enfeites de plástico. Não cabe mesmo, porque só a gente sabe o quanto comemorar é importante, do jeito que for.

Então, vai ter luxo SIM, vai ter festa, SIM e se deixar, a tia vai ir fantasiada de princesa só pra agradar a Paçoca mais doce da vida de todos nós!
Tia-Dinda