quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Chará{da}


"A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a ganhar menos do que precisa. E a pagar mais do que as coisas valem ()... A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."
Marina Colasanti


sábado, 10 de outubro de 2009

... 34 dias para a final...

Foi um ano de sufocos... Muitos sufocos...
E agora que conseguimos chegar no lugar "mais longe" qual é a atitude perante isso? Respondo - com base no que vi no segundo ensaio depois da "passagem carimbada" pra final -, NENHUMA.

O que vi hoje não condiz com a busca incessante de um grupo que se matou feriados a fio, manhãs, tardes e noites, correndo de um lado a outro pra ensaiar. O que vi condiz com um bando de "sei lá o quê" que não valorizam a oportunidade de mostrar pro estado inteiro que EXISTIMOS. De mostrar que a "dança arte" reside - mais do que na perfeição - na beleza da força que vem de dentro, que consegue balançar o mais duro coração. que estremece a mais insensível alma humana.
...
Eu tentei ao máximo dar o melhor de mim.
Não gosto de ensaiar sozinha, mas eu ri o mais que pude, eu cantei o mais alta que consegui, eu dancei como nunca, por que eu peno, há CINCO ANOS, para merecer dançar!

O meu maior objetivo era dançar no sábado de uma Macro Regional. Atingi isso na minha primeira, em 2007, quando, mais do que isso, passamos para o domingo.
Hoje, 3 anos depois, passamos pra a final em Santa Cruz, local aonde ano passado eu descobri que poderia SIM estar, pois vi seres humanos iguais a mim dançando e fazendo o que EU TAMBÉM SEI FAZER!

Eu não quero fazer feio em Santa Cruz.
EU NÃO VOU FAZER FEIO EM SANTA CRUZ.
Mas o meu nome, a minha cara estão diretamente ligados a maravilha ou catástrofe que o NOSSO grupo fizer.

Eu pisarei naquele palco de cabeça erguida, para poder dizer com toda a DIGNIDADE do mundo que mereci, por mérito próprio, dançar numa final.

Local, que jamais imageinei poder um dia.

Beijos,
Marina

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

É amanhã...

É amanhã...

Há tempo ando congelada, dura, enrijecida... Mas agora me bateu um medinho, uma inquietação por dentro.
Dá vontade de ficar imaginando o que vem pela frente... E não dá. Não quero nem ver a hora de sortear as danças... Que medo... Que pânico!
Um ano inteiro posto à prova em mais ou menos 25 minutos contatos no relógio.
Um ano inteiro resumido a 3 danças. Nem as melhores, nem as piores, mas as 3 que o destino buscou.

Dizem que de certo, certo mesmo, só existe a morte... Ou quase, no nosso caso, existe de certo o "esquadrão da morte"... Aquela gente que está aí todos os anos e que dificilmente, quase impossivelmente, de novo estará.

Sim'bora pra luta!

Penso eu, cá com meus botões, que Deus deu as mesmas armas para todos nós. As mesmíssimas armas, nos constituiu da mesma, mesmíssima matéria. Espalhou uns pra cá, outros pra lá, outros "más allá" e "sentou" pra ver. Ele deu a todos o mesmo, mesmíssimo poder do "livre arbítrio", da livre escolha, do livre ir e vir.
...
Passamos um ano enfurnados embaixo de telhados de zinco, fechados em pleno dia de sol, trancafiados em plena balada, martelou nossos "músculos cardíacos" entre estudos e ensaios, sono roubado, manhãs de domingo roubadas, inverno bom pra dormir em cama quentinha, adivinhem... Roubados!
Estapeia aqui, esbofeteia ali, passa um breuzinho "véio" pra não escorregar. Passa gel aqui, busca a maquiagem ali, prega uma tacha na sola da bota lá. Laquê para impermeabilizar!!!!

O cansaço pula pra fora agora... Mas calma lá! Faltam dois dias...
E vamos lá.

Marau... Aí vamos nós.

Ai que inquietação...

Beijos,
Marina

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

~*~ Entre Fadas e Princesas ~*~

Acordei cansada e com sono, muito sono. Era tanto cansaço, que chegava a doer. Trabalha de manhã aqui, de tarde trabalha lá, de noite corre pegar o "busão" pra aula, 2 horas de viagem, aula, mais 1h30min de volta, vai dormir 1 e lá vai bico... Sem contar que no dia anterior, todo o corre-corre incluía reunião, aula com os pequeruchos, ensaio até a 1 e pouco...
Cansaço??? Imagina! O que é isso???

Mas vamos lá, palavra é palavra e logo o CTG seria invadido por dezenas de crianças.
Semana Farroupilha do CTG, abrimos as portas para receber os mini-gaúchos e gaúchas de todas as querências, digo, escolas da cidade.

Eu sempre digo: prenda é um trambolho ambulante.
Metros e mais metros de tecido, metros e mais metros de tule, meias, bombachinha, amarra aqui, abotoa ali, prenda lá... E a pior parte: cabelo...
Seria tão mais prático cortar tudo fora e comprar dezenas (centenas) de perucas, todas diferentes, de coque, trança, "book", franja, liso, enrolado... Mas não! NÃO!
Dia de chuva é um desastre.
Dia de cerração é uma catástrofe. Tudo fica pior, o cabelo não para quieto, todos os fiso nascentes querem mostrar que tem vida e estão ali, marcando presença! Uhu!

Vai pro inferno cabelo de meleca... ... ...

Duas horas depois (hipérbole) e você, enfim, consegue iniciar a maquiagem...
Péssima notícia... Recomeça o martírio...

Quando tudo está quase OK a porcaria do rímel empurra todos os cilios pra cima da pálpebra. Resultado? A sombra que era cor de rosa está "maravilhosamente" pontilhada de preto, num estilo emo-nerd-gótico total... Pra fazer qualquer criancinha nunca mais dormir de tanto medo!
Limpa... Minto. A palavra é CAMUFLA tudo!

E "zô" passar "limpador de maquiagem", por que o estrago foi tão monstruoso que nem soterrar aquilo de sombra esconderia... E aí sim, joga sombra rosa de novo, minha gente!
Ah, esqueci de mencionar: passe pancacke (ou seja lá como se escreve, que só de lembrar, fico nervosa e dá preguiça de procurar no Google) pra camuflar o resto do estrago... Sim, por que prenda de cara lavada... E com olheira...

Tá ótimo agora!
Parece uma monstra recém saída do castelo da Bela Adormecida.

Mais 15, 20 minutos de caminhada-corrida-disparada até o CTG (por que eu não ia pagar táxi - vai você pagar a pilcha nova e cara do grupo - e pedir pro pai... Uma hora ele ainda me mata)... Sim, embaixo da cerração MARAVILHOSA... Não tem cabelo que aguenta...

NÃO, decididamente eu não sou ligada a aparência e ficar se enfeitando, e afrescalhando. NÃO MESMO! O negócio é que uam certa vez, por causa de uma certa criaturinha de menso de meio metro de altura eu prometi pra mim mesma que NUNCA deixaria de me arrumar adequadamente quando vestida de prenda...

E cheguei, e me troquei.

Aqueles olhinhos... Tantas perguntas... Tantas portas se abrindo...

Mais tarde, chega mais um ônibus.
A professora tem que descer aqueles pedaços de gente por que não tem tamanho compatível com a escadaria do microônibus...

Eu só vejo uma mãozinha gorda sendo passada pelo comprimento do meu vestido, acompanhada de dois olhos arregalados e um sorriso estatelado me olhando...
- Tu parece uma princesa...

No final da tarde, ganhei uma abraço do meu amigo como agradecimento por ajudar a contar histórias, explicar pilchas, utensílios e todo o mundaréu de coisas que organizamos...
Como se precisa me agradecer... Nem parece que minha alma gosta daquilo...

Nisso, sinto um apertar de minhas pernas (eu tenho 1,80m...).
Olho pra baixo e vejo a pequenina, agarrada em minha saia...

Não tem como descrever o sorriso daquela criança...
Me abaixei e disse que queria um abraço. Acho que ela nem acreditou. Não que tenha dito meia palavra, mas aqueles dois olhinhos contaram o segredo...

Sempre crianças! Sempre as crianças!

Foi assim que eu me lembrei POR QUE eu ainda sou uma Prenda.


*********

Semana Farroupilha... Meu ogulho de ser do Rio Grande!

Beijos,
Marina

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Roger

Bom... Já falei que eu "simplesmente" deleto datas fortemente tristes da minha cabeça?Pois é, lembro de tudo, como foi, sensação, mas a data exata... Esquece. E foi assim que ontem fizeram 5 anos que o Mimoso foi.
O Roger era um baita piá. Gradão, lindo, divertido e escrachado. Um bom aluno, meio atleta, "fugitivo" de CTG. Atendia por Mimoso, Quindim, Gordo, "Xorge". Não se estressava com nada, velhinho. Agora me veio na mente o jeitão dele sentar e puxar a perna pra cruzar em cima da outra. Bem, lembrei também dele atirando um pedaço de giz que acertou em cheio a minha testa.

O Roger era um guri especial. Um amigão silencioso, na dele, boa vida, lindão, que imitava a professora de Geografia como ninguém... Era um cara que quando "foi" arrancou muitos "não podia ser ele..." Ninguém acreditou, ninguém conseguia acreditar, e até hoje ninguém entende. Entender pra quê, né? Tenho certeza que ele próprio diria bem isso... Pra quê se estressar?
A gente não se fala, não se ligava. Era aquela amizade que você conhece tão bem quanto eu: está ali, mas a gente não tem tempo de ficar ligando, né. A gente "se sabe".É que acreditamos no todo o sempre, na juventude, na sequência lógica dos fatos.E hoje eu sinto muitíssima falta de poder pensar que ele está lá. Não sei em aonde, mas está... Vivo.

Eu lembro de muitas coisas dele. Lembro principalmente do último abração - por que o Roger tinha um abraço ENORME, de urso - e de uma visita técnica que a turma fez.Deu a maior confusão do mundo. A gurizada bebeu até virar as garrafas do avesso e o Pizzato, ele e eu não (o primeiro, estava fazendo tartamento, ou era o Roger... Enfim, e eu não bebo). Conversamos muito, nunca tínhamos conversado tanto...Me "mareja a garganta" em lembrar, em como ele foi aquele irmão mais velho naquela conversa e em atitudes depois dela.

Cara, que saudade dos meus amigos...Há 10 anos atrás os conheci e jamais passou pela minha cabeça comemorar a década de formatura (daqui a alguns anos) sem uma das pessoas mais amadas e importantes para todos nós.
Dã... Quem é que imagina uma coisa dessas...Mas o Roger faz falta.Ele lia, gostava e copiava os poemas (toscos) que eu escrevia. Se hoje eu penso que escrevo minimamente bem, a ele também agradeço por incentivar essa loucura.

Não sei se daqui a alguns anos terei histórias maravilhosas e mirabolantes pra contar da minha juventude, porque sempre fui a senhora certinha, a aluna obediente e prestativa, nunca fugi, nunca enchi a cara (e não tenho problemas com isso)...Não sei... E isso as vezes me preocupa...

Mas ao menos contarei dos bons e grandes amigos que tive e de como mudaram todo o rumo da minha vida.Ontem, quando "fui lembrada" que eram 5 anos já, eu me virei pro céu e disse pra ele que não ia lembrar, nem chorar.

Moças ocupadas não podem fazer isso.
Mas é que,
na verdade,
se eu parar,
desabo ao chão.

Beijos,
Marina

domingo, 26 de julho de 2009

...Lá e de volta outra vez...

...Lá e de volta outra vez...

Quando a tristeza é enorme e eu não sei o que fazer, muitas vezes ela volta pra me dar uma diquinha de como é bom - as vezes - a gente ser somente a gente mesmo.
Lá na "minha terra" as noites são longas, as conversas infindáveis, as parecerias são imemoriais e a gente nunca esquece, sempre lembra dos bons e velhos amigos.
Não que nos entendamos super bem, e, analisando friamente a coisa, não que essas amizades sejam super normais... Mas como de perto ninguém é normal, é sempre bom poder voltar ao lar se rever os velhos companheiros, com novas rugas na cara, e aquele vozeirão amigo na garganta berrando um "Meg!!!" quando me "vê".

Eu tenho saudade de gente que talvez nem exista.
Mas tenho saudade dessa gente que já existiu, num passado presente, eterno, e que ainda me inspira e de certa forma guia meus passos por qualquer estrada que eu ande.
Somos andarilhos, hobbits, Bolseiros, elfos. Somos de povos diferentes e esquecidos.
Somos todo mundo ao mesmo passo que somos ninguém.
Somos passado, presente, futuro...
Os guardiões e sobreviventes de uma nova geração que virá em talvez dois ou três anos a bordo de balrogs e nas asas dos senhores águias. Somos os anciãos dessa nova gurizada, que subirá em um ent pela primeira vez e ficará completamente encantada com as falas dos povos perdidos e dos povos antigos que rumaram para outros portos.

Valinor...
É pra lá que eu sempre vou voltar quando a tristeza bater e eu começar a esquecer quem sou...
Não que estando lá eu descubra esta resposta, mas ao menos, lá, a tristeza parece tão distante... E parece até que posso me defender sozinha, altiva e forte, como qualquer meio elfa, meio humana que exista.

Lá, a Megara sempre existe. E nessa lembrança, entre aqui e lá, nessa ponte entre dois mundos, ela e eu sempre "existirá".

Com amor,
Megara